Nova norma permite procedimento para pacientes com IMC a partir de 30 e libera a cirurgia para adolescentes a partir dos 14 anos, sob condições específicas.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou nesta terça-feira (20) novas diretrizes que ampliam o acesso à cirurgia bariátrica no Brasil. Entre as principais mudanças estão a redução do IMC mínimo exigido para o procedimento e a inclusão de adolescentes a partir de 14 anos como possíveis candidatos à cirurgia.
Segundo o CFM, as atualizações foram baseadas em estudos recentes que comprovam a eficácia e segurança do procedimento em um número maior de perfis de pacientes.
O que mudou:
✔️ IMC mínimo reduzido
- Antes: Apenas pacientes com IMC a partir de 35 podiam fazer a cirurgia.
- Agora: Pessoas com IMC entre 30 e 35 também podem realizar o procedimento, desde que tenham comorbidades associadas, como:
- Diabetes tipo 2
- Doenças cardiovasculares graves
- Apneia do sono severa
- Doença renal crônica precoce
- Doença hepática gordurosa
- Refluxo gastroesofágico
O IMC (Índice de Massa Corporal) é calculado dividindo o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros). Um IMC acima de 30 já é classificado como obesidade.
✔️ Fim das restrições por idade ou tempo de diagnóstico
- Antes: Apenas pessoas entre 30 e 70 anos, com até 10 anos de diagnóstico de diabetes, podiam fazer a cirurgia.
- Agora: Não há mais limite de idade nem tempo mínimo ou máximo de doença para a realização do procedimento.
Bariátrica em adolescentes
A nova norma autoriza, pela primeira vez, a cirurgia bariátrica para adolescentes a partir de 14 anos, desde que haja obesidade grave (IMC acima de 40) associada a complicações de saúde.
- Para adolescentes entre 16 e 18 anos, valem os mesmos critérios dos adultos (IMC e presença de doenças associadas).
- Antes, o procedimento só era permitido a partir dos 16 anos.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Juliano Canavarros, a mudança representa um avanço no combate precoce à obesidade:
“Estudos mostram que a cirurgia não compromete o desenvolvimento do adolescente. Com isso, podemos tratar precocemente e evitar que o jovem leve essas doenças para a vida adulta”, afirmou.
Novos tipos de cirurgia também são reconhecidos
Além das mudanças de critérios, o CFM também passou a reconhecer oficialmente novos modelos cirúrgicos, principalmente indicados para pacientes que precisam de revisão do procedimento anterior:
- Duodenal switch com gastrectomia vertical
- Bypass gástrico com anastomose única
- Gastrectomia vertical com anastomose duodeno-ileal
- Gastrectomia vertical com bipartição do trânsito intestinal
Segundo Canavarros, a inclusão desses métodos amplia as possibilidades de personalização do tratamento:
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“Agora os médicos têm liberdade para indicar o tipo de cirurgia mais adequado ao perfil do paciente, o que representa um salto importante em individualização e eficácia.”
