Especialistas explicam por que é difícil prever temporais no Grande Recife

Fenômeno que causa chuvas entre abril e agosto pode ser detectado com até 15 dias de antecedência, mas volume e intensidade só são conhecidos poucos dias antes.

A população do Grande Recife costuma se perguntar se é possível prever com precisão quando e quanto vai chover na região. Segundo especialistas, a resposta é: apenas parcialmente.

Entre abril e agosto, as chuvas são causadas principalmente pelo Distúrbio Ondulatório de Leste (DOL), ou “ondas de leste”, fenômeno formado no oceano Atlântico que se desloca em direção ao continente.

De acordo com meteorologistas, a formação dessas ondas pode ser detectada com até 15 dias de antecedência. No entanto, os detalhes mais importantes — como volume e intensidade das chuvas — só podem ser previstos com precisão entre 24 e 72 horas antes do evento.

“A previsão depende de variáveis como pressão atmosférica e ventos. Qualquer mudança pode alterar os resultados esperados”, explica Osvaldo Girão, professor de Geografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Girão cita como exemplo o temporal que atingiu o Grande Recife na última quarta-feira (14). Segundo ele, a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) só conseguiu prever o volume de chuva com cerca de uma hora de antecedência.

A previsão do tempo utiliza dados de temperatura, umidade, pressão e ventos, coletados por estações meteorológicas, satélites e até aviões ao redor do mundo. Essas informações alimentam modelos climáticos que estimam o comportamento das chuvas.

Outro desafio é a localização de Pernambuco em zona tropical, o que aumenta a imprevisibilidade.

“Numa mesma hora, pode chover forte em Olinda e não chover nada em Recife. Isso acontece porque a região tropical recebe muita energia do solo, tornando os fenômenos atmosféricos mais caóticos”, detalha o meteorologista da Apac, Thiago do Vale.

Classificação da intensidade das chuvas pela Apac:

  • Fraca: até 20 mm
  • Moderada: a partir de 30 mm
  • Forte: acima de 100 mm

Quando se fala que “choveu acima da média”, a referência é a média histórica entre 1991 e 2020. Porém, eventos extremos como chuvas intensas ou secas prolongadas, impulsionados pelas mudanças climáticas, dificultam ainda mais as previsões.

“Os modelos tendem à média. Mas com o aumento de eventos extremos, eles se tornam mais suscetíveis a erros”, afirma do Vale.

Previsão para o fim de semana

De acordo com a Apac, o Litoral e a Zona da Mata de Pernambuco devem continuar com chuvas fracas durante o fim de semana. No Agreste, também há possibilidade de precipitações leves. Já no Sertão, não há previsão de chuva.

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“As nuvens devem persistir no estado até domingo (18)”, informou o meteorologista Roberto Pereira, da Apac.