Presidente brasileiro condena duramente ações de Israel durante visita à França
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas nesta quinta-feira (5) à atuação do governo de Israel na Faixa de Gaza, classificando como “genocídio premeditado” os ataques contra civis palestinos. Durante entrevista à imprensa em Paris, ao lado do presidente francês Emmanuel Macron, Lula pediu que as potências globais intervenham imediatamente para pôr fim à escalada de violência no Oriente Médio.
“É importante que as potências mundiais deem logo um basta nisso. Não podemos assistir passivamente a um massacre de civis. A ONU pede cessar-fogo, mas ninguém respeita. Estamos vendo um genocídio na nossa cara todo santo dia”, declarou o presidente brasileiro.
Lula referia-se aos ataques israelenses realizados em resposta ao atentado promovido pelo grupo Hamas em outubro de 2023. Segundo ele, a reação israelense é desproporcional e viola os princípios humanitários internacionais, matando civis inocentes, inclusive mulheres e crianças, sem atingir os líderes terroristas.
Lula responsabiliza Netanyahu por ataques e defende solução de dois Estados

O presidente brasileiro foi enfático ao acusar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de conduzir uma guerra que, segundo ele, é contrária aos próprios interesses do povo israelense. “Estamos diante de um governante de extrema-direita promovendo o genocídio premeditado de palestinos, com uma política de guerra que agrava a instabilidade e não traz segurança para ninguém”, afirmou.
Lula reiterou sua posição histórica em defesa da criação de dois Estados como única forma viável de pôr fim ao conflito entre israelenses e palestinos. “A paz só virá com o reconhecimento do direito de ambos os povos viverem em segurança e soberania. É hora da comunidade internacional agir com firmeza para garantir isso”, reforçou.
Ele também afirmou que o discurso oficial de Israel tenta desviar o foco da realidade com argumentos que vitimizam um Estado militarizado diante da tragédia humanitária enfrentada pelo povo palestino.
Presidente destaca fragilidade da ONU e se diz preocupado com outros conflitos

Durante a coletiva, Lula também criticou a fragilidade da Organização das Nações Unidas (ONU) diante dos conflitos globais. Para ele, a entidade tem sido ignorada por países que não respeitam resoluções internacionais. “A ONU está politicamente enfraquecida. As potências fazem o que querem, e as vítimas são sempre os civis”, declarou.
Lula aproveitou o momento para expressar preocupação com a guerra entre Rússia e Ucrânia, que segue sem solução e tem agravado a crise energética e humanitária na Europa. O presidente defendeu o papel do Brasil como articulador da paz e reiterou que buscará diálogo em fóruns multilaterais.
“Não podemos aceitar mais guerras como respostas a conflitos políticos. O mundo precisa de soluções diplomáticas, não de bombardeios”, completou.
França reforça necessidade de cessar-fogo imediato em Gaza
Emmanuel Macron, presidente da França, também comentou a crise em Gaza durante o encontro. Segundo ele, os próximos dias serão “decisivos” para a possibilidade de cessar-fogo e para a liberação de ajuda humanitária aos palestinos. O governo francês promete intensificar a pressão diplomática para encerrar os combates e garantir a assistência à população civil.
Macron afirmou que seu país continuará defendendo a solução de dois Estados e buscará meios de cooperação internacional para o estabelecimento de um processo de paz duradouro. Ele também elogiou a postura do Brasil ao se posicionar com clareza diante da situação.
O diálogo entre os dois chefes de Estado mostra um alinhamento crescente em temas sensíveis da agenda internacional, especialmente nas áreas de direitos humanos, meio ambiente e paz.
Lula cumpre agenda em Paris e participa de eventos internacionais
A passagem de Lula pela França inclui uma série de compromissos diplomáticos e institucionais. Além da reunião com Macron, o presidente brasileiro se encontrou com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e também realizou encontros com representantes da comunidade brasileira residente no país.
Ainda durante a viagem, Lula participará da Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, que será realizada em Nice. O evento reúne líderes mundiais e especialistas ambientais para debater a preservação dos ecossistemas marinhos e as políticas de desenvolvimento sustentável.
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O presidente também visitará a sede da Interpol em Lyon, onde será recebido pelo delegado brasileiro Valdecy Urquiza, atual comandante da organização internacional de polícia criminal. A visita tem como objetivo estreitar laços entre o Brasil e organismos de segurança global.
