Influenciador viraliza ao treinar apenas um lado do trapézio; ortopedistas alertam para riscos à saúde
Prática polêmica ganha destaque nas redes
Um influenciador americano de 19 anos está chamando atenção nas redes sociais após divulgar vídeos onde treina apenas um lado do trapézio. Autodenominado “The Crooked Man” (“O Homem Torto”), ele afirma que sua intenção é se afastar dos padrões estéticos convencionais, criando um visual assimétrico de propósito.
O jovem descreve o estilo como “LooksMinimizing“, uma sátira à tendência de LooksMaxxing, que promove a busca por aprimoramento físico extremo. O perfil já acumula milhares de seguidores e visualizações, mas especialistas alertam: a prática representa riscos sérios à saúde musculoesquelética.
Ortopedistas condenam o treino assimétrico
Médicos consultados pelo g1 alertam que treinar apenas um lado do corpo, seja qual for o grupamento muscular, pode provocar:
- Desalinhamento postural, com diferença visível entre os ombros
- Sobrecarga nas articulações do ombro e pescoço
- Redução da mobilidade e desempenho funcional
- Maior risco de lesões e inflamações crônicas
“A questão vai muito além da estética. Pode resultar em quadros de tendinopatia, osteoartrose e outros danos irreversíveis a médio e longo prazo”, afirma o ortopedista Jean Klay, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC).
É possível reverter o desalinhamento?
De acordo com o ortopedista Sandro da Silva Reginaldo, diretor da SBRATE, a reversão é possível desde que o paciente não tenha utilizado substâncias anabolizantes e o desequilíbrio não tenha evoluído para lesões severas.
O processo inclui:
- Redução de carga no lado hipertrofiado
- Fortalecimento do lado oposto
- Correção postural, especialmente da coluna cervical e torácica
O objetivo é reestabelecer o equilíbrio entre os grupos musculares e prevenir complicações mais graves no futuro.
Treinar assimetricamente pode levar à cirurgia?
Sim. Segundo os especialistas, a sobrecarga proposital de um lado do corpo pode gerar inflamações crônicas e danos progressivos nas articulações e tendões. Em casos mais graves, a única solução pode ser uma intervenção cirúrgica.
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“A atividade física é essencial, mas deve ser feita com equilíbrio e acompanhamento profissional. Exercícios mal orientados colocam em risco toda a saúde musculoesquelética”, reforça Reginaldo.
