Governo Lula classifica situação em Gaza como “carnificina” e pede ação da comunidade internacional

Declaração foi feita pelo chanceler Mauro Vieira durante audiência no Senado. Brasil critica ações militares de Israel e reforça apoio à solução de dois Estados.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta terça-feira (20) que o governo brasileiro enxerga o atual cenário na Faixa de Gaza como uma “carnificina” e defende que a comunidade internacional não pode permanecer inerte diante da crise humanitária.

A fala ocorreu durante uma audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, inicialmente convocada para discutir temas diplomáticos como o asilo concedido à ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, e a operação dos EUA envolvendo venezuelanos na embaixada da Argentina em Caracas.

Durante o encontro, o chanceler também abordou o conflito entre Israel e o grupo Hamas, que domina a Faixa de Gaza desde 2007.

“É uma situação terrível. Há uma carnificina em curso, com um número elevadíssimo de crianças entre as vítimas. A comunidade internacional não pode assistir de braços cruzados”, disse Mauro Vieira.

Impasse na ONU

Vieira lamentou a paralisação do Conselho de Segurança da ONU, atribuída ao poder de veto dos membros permanentes, o que, segundo ele, tem travado iniciativas voltadas ao cessar-fogo.

“Infelizmente, o poder de veto dos cinco membros permanentes bloqueia qualquer tentativa de avanço — seja de um lado, seja de outro”, afirmou.

Brasil defende solução de dois Estados

O chanceler reiterou o apoio histórico do Brasil à criação de dois Estados, com Israel e Palestina coexistindo pacificamente, e reforçou a importância do respeito ao direito internacional e humanitário.

O Brasil foi convidado por França e Arábia Saudita a liderar o grupo de trabalho de uma conferência internacional dedicada à criação do Estado Palestino e à defesa do direito internacional.

Críticas ao governo Netanyahu

Desde o início da guerra entre Israel e Hamas, em outubro de 2023, o Brasil tem adotado postura crítica às ações do governo israelense. À época, o país presidia o Conselho de Segurança da ONU e tentou aprovar uma resolução por cessar-fogo e ajuda humanitária — veto dos Estados Unidos impediu a aprovação.

Desde então, o governo brasileiro tem:

  • Condenado os ataques em Gaza e pedido por negociações;
  • Questionado a legalidade e a ética das ações militares de Israel;
  • Defendido a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza;
  • Criticado o comportamento do governo de Benjamin Netanyahu, que, segundo o Itamaraty, atua com postura de colonização frente aos palestinos;
  • Alertado que a ofensiva militar inviabiliza acordos de paz futuros.

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Segundo relatos da imprensa internacional e organismos humanitários, mais de 250 pessoas foram mortas nos últimos dois dias em ações militares israelenses na região.