A confirmação do primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial do Brasil reacendeu o alerta sobre os riscos da doença para humanos. O foco foi identificado em Montenegro (RS), segundo informou o Ministério da Agricultura nesta quinta-feira (15).
O Brasil notificou a ocorrência à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e aos seus parceiros comerciais, já que o país é o maior exportador de carne de frango do mundo. Medidas de contenção e erradicação já foram iniciadas.
Como a gripe aviária pode afetar os humanos?
A gripe aviária é causada pelo vírus Influenza H5N1, que tem como hospedeiros principais as aves, mas também pode infectar mamíferos — incluindo seres humanos. O risco direto para a população, porém, ainda é considerado baixo, desde que sejam seguidas medidas básicas de segurança.
1. Consumo de carne de frango e ovos: é seguro?
Sim. Não há evidências de que a gripe aviária possa ser transmitida ao ser humano por meio do consumo de carne de frango ou ovos, desde que estejam bem cozidos.
Entretanto, o vírus já foi encontrado em ovos de aves contaminadas, tanto na casca quanto na clara e gema. Por isso, órgãos como o CDC (Centro de Controle de Doenças dos EUA) recomendam evitar o consumo de ovos e carnes malpassadas.
Casos raros de contaminação por produtos derivados de aves (como sangue) já foram registrados no Sudeste Asiático, segundo o CDC.
2. Contato com aves doentes: maior fator de risco
O principal risco de infecção humana ocorre por exposição direta a aves contaminadas, vivas ou mortas. Isso inclui trabalhadores de granjas, tratadores e pessoas que lidam com abates.
Nesses casos, a taxa de letalidade é alta: aproximadamente 50% dos infectados não resistem. Desde o início dos registros, foram cerca de 950 infecções humanas pelo H5N1, com 460 mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Somente em 2024, o mundo registrou 81 casos, o maior número desde 2015. A maioria ocorreu nos Estados Unidos (66 casos), além de registros no Camboja, Vietnã, Austrália, China e Canadá. Nos primeiros meses de 2025, três novos casos foram confirmados – dois deles fatais.
Preocupação com mutações e risco de pandemia
A OMS alerta para o risco de o vírus sofrer mutações e se tornar transmissível entre humanos, por meio de espirros, tosse ou contato físico. Isso poderia causar uma nova pandemia.
“Cada infecção entre espécies é uma chance de o vírus sofrer mutações”, alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Por isso, a organização pede que os países reforcem a biossegurança em granjas, realizem monitoramento contínuo e garantam equipamentos de proteção para trabalhadores.
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Nos EUA, o vírus já foi detectado em vacas leiteiras e até em amostras de leite cru. A FDA recomendou o consumo exclusivo de leite pasteurizado, que elimina o patógeno no processo de aquecimento.
