Tesla vende carros que prometia usar como táxis autônomos
A Tesla abandonou uma política que impedia clientes de leasing nos EUA de comprarem seus carros após o fim do contrato. A justificativa original era de que os veículos seriam usados numa futura frota de táxis-robôs, mas eles acabaram sendo revendidos ao público por valores mais altos.
Apesar das promessas de Elon Musk, os táxis autônomos da Tesla nunca se tornaram realidade. Em 2019, o CEO chegou a afirmar que haveria mais de 1 milhão desses veículos em operação até o ano seguinte. Quatro fontes relataram que, ao invés disso, a empresa adotou uma estratégia lucrativa: vender os carros devolvidos com atualizações de software, muitas vezes por preços superiores aos que os próprios locatários pagariam.
Além de contrariar as declarações públicas da empresa, a prática frustrou ex-clientes que foram impedidos de comprar seus veículos. Um deles, Joe Mendenhall, afirmou que seu Model Y foi vendido logo após a devolução, mesmo após a equipe da Tesla alegar que ele seria destinado à frota de robotáxis. “Mentiram para mim”, disse ele.
A mudança de postura só veio em novembro de 2024, quando a Tesla anunciou que contratos novos poderiam permitir a compra do veículo ao fim do leasing.
A estratégia alimentou por anos a crença de que a empresa estava prestes a lançar uma tecnologia de direção autônoma, o que ajudou a impulsionar o valor de suas ações. No entanto, a promessa se arrastava desde 2016, com Musk repetindo anualmente que os veículos totalmente autônomos estariam disponíveis “no ano seguinte”.
Especialistas do setor apontam que a Tesla provavelmente suspendeu a proibição para evitar desgaste com clientes, já que os carros usados da marca passaram a se desvalorizar mais rapidamente do que os de concorrentes. Segundo a plataforma CarGurus, modelos como o Cybertruck perderam até 46% do valor em um ano.
veja tambem: É falso que vídeo mostre ataque indiano ao Paquistão; imagens são de bombardeio iraniano em 2024
A Tesla, que opera suas próprias concessionárias, justificava os altos preços de seminovos com as atualizações oferecidas nos carros devolvidos. Apesar disso, a frustração de consumidores e a crescente concorrência no mercado de elétricos pressionam a marca a rever suas práticas.
